Para circular

“(…) Anny Milovanoff afirma que ‘no pensamento do nômade, o habitat não está vinculado a um território, mas antes a um itinerário’. O trajeto o mobiliza.

Assim, cada ser — e por que não escutas (do ouvir)? — ao invés de constituir espaços fechados, como partes de comunicação regulada, encontra-se, pelo contrário, distribuído ‘num espaço aberto, indefinido, não comunicante’. Neste momento propomos um exercício: a escuta da ‘música das ruas’. E, ao falar de uma ‘música das ruas’, estamos aproximando-a da idéia de ‘música flutuante’. ‘Música das ruas’: uma textura sonora que a cidade secreta. Ruas. Rico tecido de sons que se movem e nos arrastam. Diferentes velocidades. Diferentes dinâmicas. Música das ruas. Nervosa. Palpitante. Explosiva. Mapa aberto. Pontos que se conectam como um rizoma. Música que flutua.” dos Santos, 2001.

Entre ouvir e escutar

“Escutar é uma função que se dirige ativamente ao evento ou acontecimento que está por trás do som. Nesse sentido, o som é um indício que, ao franquear a entrada a uma rede de experiências e associações, nos informa sobre o que queremos saber daquilo que o causou. Por exemplo, quando escutamos atentos o som que produz o motor de um carro distante em um lugar isolado, é possível que estejamos quer…endo descobrir se é a caminhonete do correio, o jipe do vizinho ou uma visita inesperada. Da mesma maneira ficamos atentos ao ruído da fechadura da porta, pois queremos saber quem está chegando em casa.

Ouvir é uma recepção passiva do som. Não podemos deixar de ouvir, pois nossos ouvidos não tem pálpebras e o mundo que habitamos é forçosamente ruidoso. Mesmo o silêncio se faz aparente porque ouvimos o assovio do vento, o tic-tac do relógio ou um sussurro à distância. A imprevisão de um som nos impacta e chama nossa atenção sem que possamos evitá-lo. Em oposição à função de escutar, dirigida ao acontecimento externo e portanto objetiva, esta função se centra em nossa resposta imediata ao som e é por isso qualificada por Schaeffer (1966) como
subjetiva.”  Aguilar, 2005.

por falar nisso, alguém tem o Tratado dos objetos musicais para vender?